Simples antena vertical de fio

15 de maio de 2011

 

                        Uma opção de antena simples e barata para HF é uma vertical feita com fio de cobre. Tenho utilizado em operações portáteis uma antena assim usando uma vara de pesca como suporte. Quando a montei na versão descrita aqui consegui bons QSO com Europa e Asia usando 100W, em geral era respondido na primeira chamada sem precisar repetir o indicativo e recebia reportagens de 56 a 59. A propagação estava mediana neste dia.

                        A antena vertical já foi cercada por lendas e folclore de todo o tipo. É necessário lembrar que ela não irradia para ângulos elevados e portanto é ruim para comunicação em distâncias curtas e médias. Para essa finalidade se deve preferir uma antena tipo dipolo ou similar. Para DX ela é interessante porém o tipo de solo exerce grande influência na irradiação a baixos ângulos.

                        Hoje ela está bastante bem definida assim como a influência do aterramento de RF quando: (1) -  montada a partir do solo, e (2) - quando utiliza radiais e está elevada em relação ao solo.

                        Resumidamente, se sabe que estando sobre o solo é necessário uma grande quantidade de radiais enterrados para que as correntes de RF percorram muito mais os radiais do que o solo pois este é mau condutor, introduzindo perdas. Já o “plano terra’ se constitui por dois radiais de ¼ de onda. Se eles estiverem pouco acima do solo, 1/10 de onda ou mais, as correntes de RF irão circular inteiramente por eles e por isso somente dois bastam. Antigamente se utilizava 3 ou 4 ou até mais porém a diferença que aparece na irradiação azimutal da antena é minúscula, cerca de 0,3dB. Não há razão para mais do que 2 radiais.

                        A antena se compõe de um elemento vertical e dois radiais. Se a antena estiver muito próxima ao solo então será necessário diminuir o comprimento dos radiais pois a influência do solo sobre eles é equivalente a fazer o comprimento aumentar. Costumo simular a antena em software e descobrir os comprimentos dos fios, depois monto e ajusto para a situação local. É importante reparar que ao utilizar fio com encapamento isolante, em geral de PVC, será necessária uma correção no comprimento. O software EZNEC dispõe dessa opção.

                        Ajustando o ângulo de inclinação e a proximidade das extremidades dos radiais ao solo torna possível se fazer ajuste fino da impedância da antena. Isso é feito no software simulador.

                        Uma receita que utilizo é muito prática e pode ser usada também na simulação e permite uma antena finamente ajustada. Na versão montada requer um analisador de antena ou TX+ medidor de ROE. Primeiramente se monta os radiais ligados ao coaxial como se fosse uma antena dipolo em V invertido. O elemento vertical deve estar presente mas não ligado a nada. Ajustar o comprimento dos radiais para ressonância na frequência desejada. Talvez a ROE mínima, na ressonância, seja alta pois será um antena muito baixa, mas isso não tem importância, somente a ressonância, ponto de mínima ROE. Depois se liga os dois radiais e se conecta o elemento vertical e se faz a ligação do coaxial de modo convencional. Agora se ajusta a antena somente mexendo no comprimento do elemento vertical.

                        O ideal é poder medir diretamente no ponto de alimentação. Se a antena for montada em local difícil então usar cabo coaxial de comprimento múltiplo de 1/2 onda verificado com analisador ou TX + medidor de ROE. Depois de ajustada pode ser utilizado outro coaxial com outro comprimento, a questão diz respeito ao ajuste da antena.

                        Detalhes da antena:
                                elemento vertical 3,2m
                                elemento radial 3,4m cada, extremidades a cerca de 30cm do solo.
                                ponto de alimentação: 1,6m do solo 


Fixação da vara de pesca com 4 estais de barbante de algodão.

 

 

1 - Video mostrando a antena.

 

2 - Video mostrando resultado no analisador de antena

 

SOBRE O USO DE BALUN (CHOQUE DE CORRENTE)

Um aspecto curioso e praticamente desconhecido: coloquei o balun de corrente feito com o cilindro de ferrite, antes havia medido com LC meter e medido 6uH o que em 21MHz resulta cerca de 800 ohms, está ótimo.

Mas por que usar balun de corrente mesmo numa antena assimétrica como a vertical "plano terra", que não é uma antena "balanceada"?

Resposta: porque se o comprimento elétrico do coaxial+rádio+microfone+corpo do operador ou outras circuitos que existirem for igual a 1/4 de onda então vai haver corrente de RF pelo cabo, até queimaduras por RF se usar potência elevada, portanto irradiação e captação pelo coaxial gerando interferências em equipamentos e sensibilidade na recepção para ruídos. Isso acontecerá mesmo que a antena esteja correta e perfeita, apresentando 50 ohms resistivos!

A razão é que no ponto de alimentação da antena a linha de transmissão faz a "entrega" (na recepção o "recebimento") da energia de RF. Mas se existir também um outro caminho então a energia se dividirá entre eles: uma parte segue pela antena e a outra pelo outro caminho. É como se colocasse mais um outro radial. Por esse motivo não arrisco e coloco o balun e assim fico certo que toda a RF irá só para a antena e na recepção somente chegará ao receptor o sinal vindo da antena!

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